25 de março de 2018

Salazar e Alfredo Pimenta – Correspondência, 1931-1950 (Agosto 2008)



É um dos acontecimentos editoriais do ano, esta correspondência entre um monárquico paradoxal a quem o Cardeal-Patriarca chamava “escritor perigoso” e o inquilino de S. Bento.

Abrange uma das mais extensas correspondências privadas que se conhece de Salazar, pois abarca fundamentalmente o período de 1936 a 1950. Alfredo Pimenta foi um dos mais temíveis polemistas do seu tempo. Personalidade contraditória, conceituado medievalista, católico tradicionalista, uma das maiores vítimas da censura criada pelo político que ele tanto admirava, apaixonado pela política nazi, verrinoso e sempre a indispor-se com toda a gente, assumiu-se publicamente como um dos apoiantes incondicionais de Salazar e confessa-o nesta extensíssima correspondência que é de leitura obrigatória para melhor para melhor compreender o consulado do professor de Direito Económico que veio “salvar” as finanças no tempo da ditadura militar (Salazar e Alfredo Pimenta, Correspondência 1931-1950, Prefácio Manuel Braga da Cruz, Verbo 2008).

Os Dias do Fim de Ricardo Saavedra (2014)


Contra-subversão em África de John P. Cann (2005)



Reeditado pela Prefácio Editora em 2005 após uma primeira edição em 1998, ao longo das 226 páginas, «Este livro é a história das Campanhas na perspectiva dos militares portugueses. Aborda o conflito através de uma análise militar temática do esforço de contra-subversão desde as revoltas em Angola, a 4 de Fevereiro e 15 de Março de 1961, até ao golpe militar de 25 de Abril de 1974, em Lisboa. Descreve o modo como Portugal definiu e analisou o problema, como desenvolveu as suas próprias política e doutrina militares, e como as aplicou ao ambiente colonial africano. Tem ainda como objectivo demonstrar como a estratégia nacional portuguesa de economizar e preservar os seus fracos recursos se traduziu em acções nos níveis de campanha e táctico e como esta estratégia foi eficaz ao permitir que Portugal dirigisse uma constante e longa campanha em três colónias distantes. Ao seguir estratégias de campanha simultaneamente abrangentes e restritas, Portugal tentou quebrar a organização dos movimentos nacionalistas através da acção de agentes e opor-se à acção armada por meio de força militar e de pressão diplomática apropriadas. Simultaneamente, procurou proteger as populações do contacto com os revoltosos e conseguir a sua lealdade, elevando os seus padrões de vida e atendendo às suas queixas. Estes elementos, a sua combinação específica e o modo como foram executados, reflectem aquilo que se pode classificar como “o modo português de fazer a guerra”.» (pp. 11/12)

Combater em Moçambique. Guerra e Descolonização. 1964-1975 de Manuel Amaro Bernardo (2003)



Editado em 2003, "Combater em Moçambique. Guerra e Descolonização. 1964-1975", de 435 páginas é mais um trabalho interessante da autoria de Manuel Amaro Bernardo que vale a pena ler. Inclui depoimentos de combatentes como o do Coronel Pára-quedista Sigfredo Costa Campos.

«Eduardo Chivambo Mondlane nasceu em Manjacaze (Gaza), em 1920. Frequentou a Missão Suíça em Lourenço Marques, onde fez os estudos liceais. Depois ter tentado, sem êxito, fazer o curso na Universidade de Witwatersand, na África do Sul, devido ao apartheid, regressou a Moçambique. Foi então apoiado com uma bolsa do Estado, oferecida pelo Director dos Serviços de Instrução Pública, tendo seguido para Lisboa onde fez o curso de Letras. Mais tarde, “porque queria continuar num curso especializado, tive que ir para os Estados Unidos, onde fiz outros graus”.

Foi o próprio Mondlane quem, ao agradecer o banquete oferecido em sua honra, em 1961, no Hotel Xai-Xai, de João Belo, pelas autoridades do distrito, descreveu a sua experiência educativa em Moçambique e Lisboa.

Portugal: Palácio de Cristal (Porto)

Portugal: O Seculo Ilustrado Nº 1897 de 18 de Maio de 1974


12 de novembro de 2017

Frelimo o Partido e as Classes Trabalhadoras Moçambicanas na Edificação da Democracia Popular (1977)


Angola Secret Government Documents on Counter-Subversion (1974)


Monumentos: Salazar Deixou Um Legado Ideológico Que Ainda Marca a Identidade Nacional, diz Investigador



Uma tese de doutoramento da Universidade de Coimbra, que analisa a reconstrução dos monumentos nacionais durante o Estado Novo, conclui que Salazar deixou um legado, ainda hoje vivo, de símbolos que materializam a imagem salazarista do país.

Durante o Estado Novo, foi aplicado um plano de investimento para a reconstrução de monumentos que durou até aos anos 1960, e que procurou "recuperar" a ideia de "um passado perdido, de um passado heróico", com as estruturas medievais e manuelinas a serem pensadas "como o grande bem da nação", disse à agência Lusa o autor da tese e docente do Departamento de Arquitetura (Darq) da Universidade de Coimbra (UC), Luís Correia.

As reconstruções, apesar de não terem sido desenhadas por Salazar, correspondiam à imagem de um passado renovador que o ditador português pretendia colar ao país, sublinha.

Os monumentos, nota a tese, foram usados por Salazar como "restaurados símbolos de memória e poder, que a maciça classificação e consequente instituição das zonas de proteção de caráter geral e especial pretendiam salvaguardar como propriedades da sua regência".