29 de dezembro de 2013

O Sangue e os Mortos (David Borges, Jornalista)



Pede-me o Diário de Notícias que, mais do que sobre o chamado "mundo lusófono", escreva sobre a relação histórica de Portugal com África, no preciso espaço que, hoje, faz o balanço da visita de Cavaco Silva a Moçambique e abre um pouco mais a janela que mostra aos portugueses a paisagem chocante, e até aqui esquecida, dos mortos portugueses nos combates de África e que jamais retornaram à terra de onde, um dia, foram forçados a partir para, por erradas razões da Pátria, combaterem em nome de Portugal.


Não consta que Cavaco tenha visitado algum talhão militar português em Moçambique, mas poderia tê-lo feito porque firmemente agarrada aos mortos enterrados em África está uma das duas mais poderosas raízes da relação luso-africana, firmando-se a outra, também forte, na mistura de sangues, a mistura que produziu José Craveirinha, uma das maiores figuras da África que fala português e que dedicou ao seu "belo pai, ex-emigrante", o mais comovente dos seus poemas, uma elegia a esse Craveirinha de Algezur, do mesmo Algarve de Cavaco, que procurou em Moçambique, no distante ano de 1908, um futuro que o apertado horizonte português não lhe permitia vislumbrar.

Ao pai português, escreveu o africano José, "de coração ronga-ibérico mas afro-puro", que "as maternas palavras de signos", que viviam e reviviam no seu sangue, pacientemente esperavam a época de colheita, soltas já estando "as sentimentais sementes de emigrante português, espezinhadas no passo de marcha das patrulhas, de sovacos suando as coronhas de pesadelo".

Na sua "rude e grata sinceridade", José Craveirinha não esqueceu, nunca, o "antigo português puro", que gerou "no ventre de uma tombasana, mais um novo moçambicano, semiclaro para não ser igual a um branco qualquer, seminegro para jamais renegar um glóbulo que fosse dos Zambezes" do seu sangue...

Em Craveirinha, "ficaram laivos do luso-arábico Algezur" da infância do pai mas "amar por amor" ele só amou e somente podia e devia amar Moçambique, a sua "bela e única nação do mundo", onde a mãe nasceu, o gerou e com o pai "comungou a terra, onde ibéricas heranças de fados e broas se africanizaram para a eternidade" nas suas veias e o sangue do pai "se moçambicanizou nos torrões da sepultura de velho emigrante numa cama de hospital, colono tão pobre" como desembarcara em África.

Diante da sepultura do pai, chorou sempre José pelo seu "belo algarvio bem moçambicano", o seu "resgatado primeiro ex-português, número um Craveirinha moçambicano". E deixou-lhe, em "alinhavadas palavras como se fossem versos", uma "homenagem de caniços agitados nas manhãs de bronzes, chorando gotas de uma cacimba de solidão nas próprias almas, esguias hastes espetadas nas margens das húmidas ancas sinuosas dos rios"...

A elegia de Craveirinha ao seu belo pai ex-emigrante convoca-nos para a protecção de tantas e tão poderosas heranças luso-africanas, abrindo caminhos que sigam bem para lá dos negócios sem alma e do turismo sem coração. Só a continuada mistura de sangues, ibérico e africano, e com terras enriquecidas pelo ADN de portugueses e africanos, fará o futuro merecer o que de melhor o passado deu - a Portugal e a África.

Fonte: Diário de Notícias, 6 de Abril de 2008

Ruy de Lacerda: Um dente que gerou uma amizade duradoura



Eu estava a cumprir o Serviço Militar, Obrigatório, no Batalhão de Engenharia, em Lourenço Marques, quando sou fulminado com dores na boca. Estávamos em pleno Janeiro de 1956. Procurei um médico dentista e aconselharam-me um que há pouco tempo tinha chegado e que dava consultas no Prédio African Life no segundo andar, mesmo ao lado do Cinema Gil Vicente.

Ali chegado, entrei para a sala de espera. Estava lá uma senhora e pouco depois abriu-se a porta do consultório. Saiu um homem e apareceu o médico. Era um homem bastante alto e já de cabelos brancos. Disse-lhe que estava com muitas dores. Ele pediu licença à senhora e mandou-me entrar. Esteve a analisar a minha boca e disse-me: Vou-te dar uma carta para entregares na tua Unidade, toma já este comprimido e amanhã de manhã, vais ter comigo ao Hospital.

Quando cheguei ao Hospital Miguel Bombarda, perguntei por ele na Portaria. Ligaram para ele e fui acompanhado por um servente a onde ele estava. Acompanhava-o o Dr. Pais, médico-chefe da Estomatologia. Fizeram-me radiografias e disseram-me que eu teria que ser operado, às gengivas. Marcaram-me para dois dias depois e deram-me uma carta para apresentar no Quartel e que eu lá estivesse às sete da manhã e em jejum.

Quando ali, fui com uma guia, soube que o médico tinha tido um desastre de viação na véspera e que seria o Dr. Pais que me iria operar. Eram onze da manhã, acordei num corredor, deitado numa maca. Sai dali, passei a Portaria, destranquei a motorizada e arranquei. Duzentos metros, mais adiante, a luz dos semáforos encadeou-me e estatelei-me, pois eu ainda estava com os efeitos da anestesia geral. Alguém me apanhou, meteu-me numa carrinha de caixa aberta e com a motorizada e levou-me à Engenharia, pois reconheceu o emblema das transmissões.

Novas regras do Código da Estrada a partir de 1 de Janeiro de 2014


 
«A partir da próxima quarta-feira, se a polícia mandar parar o seu carro, terá de apresentar os habituais documentos: carta de condução, documento de identificação e papéis do seguro. É o procedimento normal, mas há uma regra nova: passa a ser também obrigatória a apresentação do cartão de contribuinte se o condutor ainda tiver bilhete de identidade. Caso não o tenha, arrisca uma multa de 30 euros.

Esta é só uma das mais de 60 alterações introduzidas ao Código da Estrada (CE) que entra em vigor a 1 de Janeiro. Entre as regras há uma que exige particular atenção dos automobilistas: a condução nas rotundas passa a estar regulamentada e os infractores - que ocupem, por exemplo, a faixa da direita sem terem intenção de usar as duas primeiras saídas - arriscam uma coima entre 60 e 300 euros. O uso de telemóveis e auriculares ao volante também vai implicar outros hábitos. O artigo 85 do CE tem uma nova redacção e determina que só possam ser utilizados "aparelhos dotados de um único auricular". Ou seja, se antes até podiam ser usados auriculares duplos - desde que o condutor os utilizasse só num ouvido, agora estes equipamentos passam a ser expressamente proibidos quando se está a conduzir.

O novo Código da Estrada também traz mexidas nas taxas de álcool. O limite fica mais apertado para os condutores profissionais e os recém-encartados (com menos de três anos de carta). Nestes casos, a taxa baixa para 0,2 g/l de sangue - menos de metade do actual limite, fixado em 0,5 g/l.

20 KM/H NAS CIDADES Com a nova lei entra em vigor um novo conceito: as "zonas de coexistência" nas cidades. O objectivo é devolver as ruas aos peões nas áreas residenciais. Estas zonas serão definidas em colaboração com as autarquias e vão estar assinaladas com um novo sinal vertical - que ainda está a ser desenhado. Aqui os condutores não poderão circular a mais de 20 km/h e os "utilizadores vulneráveis" - crianças, idosos, grávidas, deficientes e condutores de velocípedes - podem utilizar "toda a largura da via pública".

Os ciclistas também ganham novos direitos com a lei que agora entra em vigor. Serão criadas passadeiras especiais para velocípedes - onde os condutores são obrigados a ceder passagem - e as bicicletas podem circular na estrada, do lado direito da faixa. Ainda assim, os ciclistas devem cumprir regras: não o podem fazer se houver "intensidade de trânsito" ou em "vias de reduzida visibilidade". E não é permitido que mais de duas bicicletas circulem em paralelo ou que causem "perigo ou embaraço" ao trânsito.

28 de dezembro de 2013

E os Quatro Meninos Cresceram...

Juiz Desembargador: Dr. José Manuel Branquinho de Oliveira Lobo

 

Pão com badjia




Comece o dia de uma forma diferente. Pão com badjia é gastronomia típica de Moçambique. Com chá, sumo ou "refresco", pão com badjia sabe sempre bem...a nossa maneira.


Fonte: Sapo MZ

Litchi: A Fruta da Época




Litchi é a fruta do momento. Em cada esquina de Maputo encontram-se  vendedoras ambulantes com bacias carregadas desta deliciosa fruta. Com o calor que se faz sentir na capital, esta é uma boa ideia para fazer sumo natural ou salada de fruta.


Fonte: Sapo MZ

Nas Águas do Tempo (Mia Couto)



Meu avô, nesses dias, me levava rio abaixo, enfilado em seu pequeno concho. Ele remava, devagaroso, somente raspando o remo na correnteza. O barquito cabecinhava, onda cá, onda lá, parecendo ir mais sozinho que um tronco desabandonado.

- Mas vocês vão aonde?

Era a aflição de minha mãe. O velho sorria. Os dentes, nele, eram um artigo indefinido. Vovô era dos que se calam por saber e conversam mesmo sem nada falarem..

- Voltamos antes de um agorinha, respondia.

Nem eu sabia o que ele perseguia. Peixe não era. Porque a rede fica amolecendo o assento. Garantido era que, chegada a incerta hora, o dia já crepusculando, ele me segurava a mão e me puxava para a margem. A maneira como me apertava era a de um cego desbengalado. No entanto, era ele quem me conduzia, um passo à frente de mim. Eu me admirava da sua magreza direita, todo ele musculíneo. O avô era um homem em flagrante infância, sempre arrebatado pela novidade de viver.

Entrávamos no barquinho, nossos pões pareciam bater na barriga de um tambor. A canoa solavanqueava, ensonada. Antes de partir, o velho se debruçava sobre um dos lados e recolhia uma aguinha com sua mão em concha. E eu lhe imitava.

- Sempre em favor da água, nunca esqueça!

Era a sua advertência. Tirar água no sentido contrário ao da corrente pode trazer desgraça. Não se pode contrariar os espíritos que fluem.

Fotos da Ilha de Moçambique

A Europa sobre rodas



Fonte: Recebido por email

18 de dezembro de 2013

Moçambique: Banco Nacional Ultramarino da Beira


Desenhado pelo engenheiro José Figueiredo Correia, num gosto «arte deco» tardio, foi inaugurado em 9 de Setembro de 1954.


Fonte: Arquivo Pessoal

Que raio de país é este (José Goulão)


1º de Maio de 1974, momento ímpar de mobilização colectiva de que os portugueses rapidamente desistiram, o dr. Soares fez-se notar por um trabalho oratório, glosando, com toda a razão e propriedade, o mote “Que raio de país era aquele!?” – aludindo ele ao Portugal de Salazar e Caetano, da Pide e dos banqueiros, da guerra e da brutalidade, da miséria e ausência de direitos que, julgavam os presentes e muitos ausentes, acabara de ficar para trás.

Uns lembram-se, outros não, outros ainda fazem por esquecer, mas o facto entrou para a História. Agora acompanhem-me um pouco na evocação de acontecimentos dos últimos dias, escolhidos ao acaso entre outros do mesmo jaez, nesse país chamado Portugal. Dizem as notícias que a PSP, o corpo de polícia que manda os seus agentes comprar as fardas de trabalho e que deve dinheiro a três mil deles, gastou 300 mil euros na compra secreta de instrumentos marítimos e aéreos, entre os quais dois drones (aviões sem piloto), máquinas assassinas que têm feito as delícias do presidente Obama e das autoridades israelitas quando se trata de proceder a execuções extra judiciais de “terroristas” – seja lá o que isso for – através do mundo. Digamos que o drone tem funcionado como um longo braço de foras de lei, definição que assenta que nem uma luva ao caso de Portugal, onde, como têm afirmado as instituições competentes, não há enquadramento legislativo para uso de tais meios – deve ser culpa da Constituição. E tal como a compra foi um acto secreto, também as finalidades reservadas aos engenhos potencialmente letais são apenas do conhecimento das almas do negócio.

E por falar em negócio, recordo que, também segundo as notícias, o signatário da transacção, então comandante da PSP e entretanto demitido por, segundo o governo, não ter estado à altura dos acontecimentos na escadaria da Assembleia da República por ocasião das manifestações de agentes de forças policiais, foi colocado em Paris num cargo milionário que não existia. Falta-nos saber de quem são e em que apertos estarão presos os rabos dos envolvidos nesta criação de uma prateleira dourada na cidade luz para um alto funcionário do Estado demitido por indecente e má figura – foi essa, então, a interpretação governamental.

Dizem ainda as notícias que os quinhões principais dos CTT, essa empresa pública que sabia merecer os esforços dos contribuintes portugueses, ficam nas mãos de duas conhecidas entidades privadas, logo de bem, o Goldman Sachs e o Deutsch Bank. Do Goldman Sachs sabemos que o seu presidente se define como “um banqueiro a fazer o trabalho de Deus”, coisa meritória se partirmos do princípio de que foi abolido – o mais certo é ter sido em segredo - o mandamento “não roubarás”. O mundo vai conhecendo as tropelias de tal instituição e os portugueses também sabem que, além do falecido gestor responsável pelas privatizações, também o secretário de Estado do primeiro-ministro de Portugal tutelando as privatizações e as ligações com a troika foi um alto quadro do Goldman Sachs. Ele há coincidências, é verdade, mas em dois anos o governo português rifou a preço de saldo a EDP, a REN, os aeroportos, os CTT e os Estaleiros de Viana, e o mais que vier a seguir se lhe derem tempo.

Tudo boas áreas de negócio e que por um qualquer desígnio divino, quem sabe se devido à intermediação privilegiada entre o presidente do Goldman Sachs e o Senhor, têm de pertencer ao sector privado – ao mercado, pois, como sinónimo de liberdade e democracia. Quarenta anos depois, e dispensando o labor oratório, basta perguntar exclamando ou exclamar perguntando – que raio de país é este!?

Jornal de Angola, 17 de Dezembro, 2013

17 de dezembro de 2013

A guerra suja do dinheiro (Álvaro Domingos)


O sistema financeiro mata mais que uma guerra de destruição maciça. O fosso entre ricos e pobres é cada vez maior. No meio ficam os guetos. Os muito ricos estão a lançar para os campos de concentração do neo-liberalismo milhões de seres humanos, ultrapassando em desumanidade o regime nazi. Os mercados submetem países que ainda ontem eram potências. Reduziram a França, Espanha e Itália à sua expressão mais ínfima.

Os líderes destes países estão de joelhos ante o capital financeiro que é cego e não vê a pobreza extrema que está a semear no mundo. Não sabe que está na origem de todos os conflitos mais ou menos violentos. Em África há milhares de seres humanos acossados por senhores da guerra, “drones” e bombas da OTAN. Vivem na miserável condição de refugiados em países onde os nacionais também não têm o mínimo para viver. É gasolina atirada para a fogueira.

No Médio Oriente a situação é idêntica. O mundo continua a tolerar que milhões de palestinos nasçam, vivam e morram em campos de refugiados. Na Síria está em palco uma tragédia sem precedentes na História da Humanidade. Grandes potências que mexem os cordelinhos dos “mercados” querem dominar a rota da energia e não hesitam em lançar irmãos contra irmãos. A Al Qaeda é inimiga das potências ocidentais no Afeganistão, no Paquistão ou no Magrebe. Mas é o braço armado dessas potências na Síria. A ONU convive com estas iniquidades políticas sem pestanejar. Ban Ki-moon exige que os responsáveis pelo uso de armas químicas na Síria sejam punidos. Tem que procurar os responsáveis em Riade, Ancara, Paris, Londres ou Washington. Mas nesses santuários da OTAN ninguém se atreve a tocar. E a Arábia Saudita tem tanto petróleo que até pode fazer figura da ditadura mais retrógrada do mundo.

O sistema financeiro está a criar condições para colocar ao seu serviço a Ucrânia. O que se passa naquele país mete pena. A soberania do Estado é posta em causa por governantes estrangeiros que vão conviver com os manifestantes do “Inverno Duro” com que a Alemanha quer derrubar o governo legítimo e o Presidente eleito. A “Primavera Árabe” não foi tão longe. Nenhum membro de governos estrangeiros se atreveu a ir às praças do Cairo apoiar os manifestantes. Em Kiev é o que se vê.

Durão Barroso, em nome da União Europeia, uma espécie de polícia de luxo dos “mercados”, exige que o Governo de Kiev respeite os manifestantes. Reprova à cabeça qualquer intervenção policial. No país dele, em Lisboa, umas dezenas de jovens tentaram subir a escadaria do Parlamento. Foram selvaticamente agredidos pela polícia, que os perseguiu pelas ruas limítrofes. Quanto a isso nada disse. Em Kiev os manifestantes ocuparam sedes de ministérios, vandalizaram equipamentos públicos, mas Durão Barroso diz que se a polícia impuser a ordem, comete um crime.

Um senador americano, John Mcain, foi visitar os manifestantes às praças de Kiev. Como se na Ucrânia não haja soberania e ninguém mande. Aquele país fornece mão-de-obra qualificada mas quase gratuita às grandes fábricas da Alemanha e de outros países europeus.

Um dia destes é apenas uma feitoria. O Presidente da República recusou fazer um contrato de associação com a União Europeia e o poder caiu na rua. Está a ser pressionado para não aceitar o bloco regional que está a criar uma União Aduaneira. Os “mercados” estão sedentos de consumidores e de escravos do trabalho. Querem regressar aos tempos do feudalismo porque acreditam que assim vão conseguir fazer frente ao poderio económico da China.

Os cidadãos livres do mundo assistem a estes jogos de poder e não reagem. Estão demasiado entorpecidos com o entretenimento, o lixo mediático e o consumismo desenfreado. Milhões de seres humanos entregam-se voluntariamente à morte nesta guerra do sistema financeiro. Mal vai o mundo quando o Papa Francisco, chefe de uma Igreja, é obrigado a dizer aos seres humanos que estão a ser vítimas da guerra do dinheiro e estão prisioneiros dos mercados.

De um Papa esperamos outros serviços à Humanidade, muito importantes. Mas o holocausto que o sistema financeiro tem em marcha sobre os seres humanos mais frágeis obrigou-o a ser um líder político na tentativa de salvar da derrota um exército de pobres e oprimidos que engrossa todos os dias, mas tem cada vez menos força para fugir da dominação e da escravatura.

A Ucrânia vai acabar tão mal como o Egipto, a Tunísia ou a Líbia. Pode mesmo entrar no caminho da Síria. O sistema financeiro é implacável e não se vislumbra força humana que trave o desastre que ameaça a Humanidade com a mais terrível ditadura de sempre: o dinheiro.

Jornal de Angola, 16 de Dezembro, 2013

A Corja



Fonte: Recebido por email

5 de dezembro de 2013

O Espantalho de Belém



Fonte: Recebido por email

Nova Versão dos Livros da Anita



Fonte: Recebido por email

1 de dezembro de 2013

Orquestra Djambo: Elisa Gomara Saia

João Domingos: Um homem com (um sentido de) 80 anos!


 

A SIDA tem cura. Façam como explico, irão descobri- la. – Eu sou cego. – A PIDE matou o evangelizador que curava as populações. – Depois de ter matado milhares de pessoas, ‘killer man’ foi descoberto em Inharrime e tinha 234 anos. – Dilon Djindji é mentiroso. Coloquem-no nas proximidades de um detector de mentiras. O instrumento irá explodir...

Se um dia alguém lhe trouxesse uma mensagem sobre o fim de um infortúnio – a morte, por exemplo – que se eterniza, como o estimado leitor reagiria? Certamente que manifestaria muita alegria. Não é essa a mensagem desta matéria. De qualquer modo, anime-se afinal – como afirma o célebre músico moçambicano, João Domingos – “a SIDA tem cura”. Nenhuma estratégia de persuasão para atrai-lo à leitura desta matéria nos interessa, mas a conversa com o ancião foi reveladora.

Aqui, a sua história artística já narrada, inúmeras vezes, na e pela imprensa nacional, é dispensável. Queremos falar-lhe sobre as suas experiências espirituais – diga-se porque é verdade – empolgantes e apavorantes. É preciso que os factos se narrem por si, ou pela pessoa que os viveu. Por isso, construímos uma narrativa em que abunda um discurso autodiegético – deixando o próprio líder do Conjunto João Domingos expressar-se.

Na verdade, esta cavaqueira – com João Domingos – é um projecto materializado na última sexta-feira de Junho de 2013, na sua casa, no bairro de Maxaquene, algures em Maputo. É um evento que se enquadra nas festividades – que na verdade não se realizaram, ou, pelo menos na dimensão proporcional ao homem. Mas isso é outro assunto – dos seus 80 anos de idade, assinalados em Maio.

São 8 décadas de uma vivência rica em que se cruzaram experiências artísticas e de tantos (outros) conhecimentos que envolvem a cosmogonia dos seus tempos. O líder do Conjunto João Domingos nasceu em 1933. Já haviam transcorrido 15 anos depois do fim da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e, em certo sentido, foi influenciado pelos acontecimentos do segundo grande conflito na terra. Das peripécias do fenómeno armado, este texto possui alguns sintomas.